quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sobre acontecimento recente

Me impressiona como a vida é fugaz.
Um dia tá tudo assim, bem normal, no outro tá tudo
de cabeça pra baixo, nada é mais igual.

Isso deve ser terrivelmente pior quando se perde uma pessoa. Nunca senti algo parecido, sei que um dia passarei por isso, pois pessoas são eternas apenas em nossas lembranças, mas espero estar mais madura nesse instante aí.
Já não sou adepta a mudanças simples, quanto mais a mudanças tão grandes quanto a morte.

A vida nos passa rapidamente, e o tempo todo, sem
parar pra nada. Nunca me lembro disso, exceto quando acontecimentos vistos no noticiário, não sentidos muito profundamente, exceto a brutalidade dos fatos, me acordam. Imagina se fosse um amigo meu ?

É chato, mas é a verdade. Todo mundo tem culpa.

Uns mais, outros menos.

Ninguém é obrigado a entrar numa briga; não tá c
erto entrar numa briga e se garantir com segurança armado; não tá certo alegar legítima defesa sendo o único a portar armas. Um monte de coisa tá errada. Na verdade quase tudo nessa história tá errado.

Mas conhecendo a Justiça do país como conhecemos, isso não vai dar em nada.

O assassino da gabriela no metrô era pobre, já bandido mesmo, e só esse ano, depois de sei lá, quatro de espera, foi condenado. Agora imagina se com que tava com o filho de uma promotora, com o filho do cara mais rico do brasil (que por sinal
tinha só dezesseis, não sei o que tava fazendo em boate que só pode maior de dezoito) vai acontecer alguma coisa ?!
Vai nada ..


Trecho da coluna de Artur Xexéo hoje no Segundo Caderno, onde ele fala muito bm sobre o ocorrido.


Um tiro em frente a uma boate em ipanema - filhos de promotoras ameaçadas por Fernandinho Beira-Mar não podem ter uma vida normal.

(...) A seção de cartas dos leitores aqui do Globo mostra que a população não aprova a medida. "Inacreditável que o estado privilegia Pedro Velasco, filho da promotora pública Márcia Velasco, com escolta militar armada a f
im de que ele desfrute noitadas em ambientes de consumo de álcool, drogas e notório em confusões como a Baronneti", escreveu um. "Com que direito esta promotora coloca à disposição de seu filho um segurança pago por nós para protegê-lo?", indaga outro. (...)

É claro que deve ser incluída aí a incompetência do PM que servia de segurança. Como qulquer um filme mericano ensina, o segurança deve livrar seu protegido das confusões. Se havia uma briga, seu papel era tirar o filho da
promotora do local. O segurança agiu de modo tosco: mteu-se na briga.

Mas o que causa verdadeira estranheza é o papel d
a promotora. Imagino que ela acredite que o segurança sirva para que ela e seu filho continuem tendo uma vida normal. Agora vem cá, um adolescente passando a madrugada numa boate de Ipanema ao lado de um segurança é uma vida normal? Não sou radical como os leitores da seção de cartas. A promotora está ameaçada, sua família está ameaçada, o Estado lhe deve segurança. Mas isso não significa que o Estado lhe deva "uma vida normal". Ela escolheu a profissão, ela sabia que a profissão era de risco, ela tem obrigação de organizar a vida familiar com esses riscos.

Ninguém ameaçado por Fernandinho Beira-Mar pode achar que está em segurança andando de madrugada pelas ruas. Não é a companhia de
um brutamontes que vai resolver a vida do garoto. A promotora vai me desculpar, mas a segurança oferecida pelo Estado não inclui permitir que o filho da protegida se arrisque pelas noitadas do Rio. A juventude do garoto será prejudicada? Será sim. Sinto muito. Isso faz parte da profissão que ela escolheu. Se não gostar, pede pra sair.

Mais duas ou três coisas sobre o caso que mobiliza
a cidade. Ontem mesmo, apareceu no jornal que o filho de Eike atista, o pequeno Thor, que a gente conhece desde bebê, quando posava para "Caras" ao lado da mãe, Luma de Oliveira, estava na boate também e seria testemunha. Pois o pequeno Thor já está com dezesseis anos. Quem incluiu seu nome na confusão foi Diguinho, o jogador do Botafogo, que exercitava sua condição de atleta às cinco da manhã na Baronneti (como todo mundo sabe, atletas do futebol estão em atividade desde cedo). Para livrá-lo de qualquer responsabilidade, o pai foi à delegacia se explicar. O megaempresário Eike Batista disse que o filho, na verdade, estava na boate ao lado, a Boox, e não tem naa a ver com a história. Peraí, algo estranho surgiu outra vez. Boate Boox e 16 anos de idade não deveriam fazer parte da mesma frase.


É vergonhoso dizer, mas a impunidade é rainha no país em que tudo acaba em pizza.
O que vale mesmo é aproveit
ar o que temos, e principalmente quem temos.



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