segunda-feira, 11 de maio de 2009

quem tem mãe tem tudo


Uma certeza que eu tenho é a de que todos nós já cansamos de ler e escrever mensagens, cartas, poemas, redações e declarações para as mães. Textos existem aos montes, de todos os tamanhos, formatos, jeitos, idiomas e intensidade.
Porém, uma coisa me incomoda, qual seja o fato de todos esses escritos versarem, em grande maioria, no mesmo sentido, de uma forma um tanto quanto homogênea, sem muita autenticidade, sem muita realidade, sem muita emoção e individualidade que merece cada uma de nossas mães.
Muito se fala nas virtudes das mães, elogia-se exacerbadamente, declara-se amor incondicional por essas mulheres, mas falta, ao meu ver, uma verdade maior em tudo isso. Falta, a quem escreve, individualizar a mensagem que deseja transmitir. Falta falar ao mundo para quem vão as palavras tão bonitas.
Um texto que se propõe a falar sobre uma mãe não deve ser um texto qualquer. Não pode ser um texto qualquer. Talvez seja o texto mais importante que a pessoa haverá de escrever, justamente em decorrência de ser ao mesmo tempo tão simples e tão complexo.
Um texto desse tipo não pode ser como uma receita de bolo, uma lista enumerada de virtudes e defeitos, um esboço pré-feito. Nada referente a uma mãe pode ser ensaiado, pré-meditado. Nada nesse sentido é previsível.
Deve-se encarar a importância de uma mãe pelo ser humano que ela é em nossas vidas. Deve-se levar em conta não apenas suas virtudes, mas seus defeitos que a tornam humana como nós.
Isso, contudo, jamais virá a desvirtuar a beleza que nasce de uma mãe, que vive com ela em todos os momentos e é transmitido para aqueles que desfrutam de todo seu amor.
Quando leio os textos que já escrevi sobre minha mãe, que minhas irmãs escreveram sobre ela, textos que já li por aí, cartões e demais escritos que sempre procurei com a melhor das intenções destinar a ela, vejo que existem muitas partes, conceitos e definições que se aplicam a ela, que a descrevem, que explicam sua beleza. Mas ao mesmo tempo me questiono até onde foram aquelas declarações. Se apenas se resumiam a um amontoado de palavras bonitas e emotivas relatando a minha mãe que eu a amava pelo fato da gratidão de ela ter me trazido ao mundo e aqui me mantido tão bem e protegido.
Percebi que não era isso, não era tão limitado o conceito que eu deveria ter de minha mãe. Ela era bem maior que tais coisas. Ela vai mais além e merece minha consideração, amor e respeito de receber uma declaração verdadeira por todo. Uma declaração só pra ela.
Foi então que eu vi que eu amava minha mãe por muitas outras coisas que iam bem além das palavras bonitas dos cartões. Amava-a, sobretudo, pela realidade e intensidade de nossa relação.
Amava-a e amo-a pelos momentos de apoio, pelas palavras curtas, breves e de grande mensagem, pelo falar manso e calmo, pela exaltação da voz em horas de raiva e nervosismo, pelo choro tímido, quase invisível para não mostrar aos filhos que em momentos também fraqueja, pelos desejos de boa noite e bons sonhos, pelas bênçãos, pelos carinhos na cabeça, pelas ameaças de palmada, pela decepção de uma nota ruim, pela alegria, sorriso e congratulações de uma medalha de honra ao mérito por ter sido o melhor aluno, pelo abraço confortável que dizia com o corpo mais aconchegante do mundo que eu estava protegido, pelas brigas bobas, discussões mais sérias, tempos sem conversa, sem olhares, reconciliações maravilhosas, chateações, teimosias, incapacidade de reconhecer que está errada, capacidade de fazer tudo pelos filhos, cobrança, desejo de sucesso, desejo de estar perto, desejo de que tudo dê certo. Desejo de que o mundo ame seu filho do jeito que ela ama. E desejo de sempre trazê-lo de volta para si, do jeito dela, com medo que ninguém mais o ame do jeito que ela ama. E assim, acertando e errando mostrando para mim, a magnitude da beleza de ser minha mãe.

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