quinta-feira, 23 de setembro de 2010

primavera

texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa vol. 1", editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, página 366.
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial por raízes, - e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de redodendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinho começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, - e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta e uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, - e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar nesse mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, - e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos essa voz que anda nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia vai se tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que se desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicolor.
Tudo isto pra bilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, - por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida - e efêmera.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

tecnologia na orelha

1. 2002 - celular do guga; 2. 2003 - motorola baby; 3. 2003/2004 - nokia troca capinha; 4. 2005/2006 - panasonic (menor celular do mundo na época);
5. 2006/2007 - um dos primeiros celulares de slide, da samsung (não achei foto); 6. 2007/2008 - v3 rosa; 7. 2008/2009 - samsung de slide rosa; 8. 2009 - n95; 2010 - iphone !

segunda-feira, 12 de julho de 2010

quero

(Carlos Drummond de Andrade)

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo ?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exigo de ti o perene comunicado.
Não exigo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneria de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.
Dito por William Bonner no Marília Gabriela Entrevista)

sábado, 12 de junho de 2010

dia dos namorados


como se comemora algo diferente se o que é gostoso é sempre igual ?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

trilogia do coração


(Retirado de Diamantes do Sol, de Nora Roberts - Página 329, primeiro parágrafo)



- Foi da mãe de minha mãe. A pedra é pequena, o engaste é simples. Mas resistiu a tudo. Eu lhe peço para aceitar este anel e a mim, porque o amor que sinto por você é infinito. Você pertence a mim, Jude, como eu pertenço a você. Quero que construa uma vida comigo, numa base de igualdade. E qualquer que seja essa vida, onde quer que seja, será nossa.

Ela prometeu a si mesma que não choraria. Num momento assim, queria os olhos bem desanuviados. O homem que ela amava se ajoelhava a seus pés e oferecia .. tudo.
Jude também se ajoelhou.
- Aceito o anel e aceito você, Aidan, e guardarei ambos em meu coração. Pertenço a você, Aidan, assim como você me pertence. - Ela estendeu a outra mão, para que ele pudesse enfiar o anel, uma promessa para o coração. - E a vida que vamos construir começa agora.
No momento em que ele pôs o anel no dedo de Jude, as nuvens foram afastadas e o sol voltou a brilhar, faiscando como diamantes.




(Um dos livros mais apaixonantes que li nos últimos meses ! Lindo !)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

one (plus one) year of love

one sentimental moment in your arms
is like a shooting star through my heart
it's always a rainy day without you
i'm a prisioner of love inside you
i'm falling apart all around you
and all i can do is surrender

terça-feira, 13 de abril de 2010

soneto do amor total

(Vinícius de Moraes)

Amo-te tanto meu amor .. não cante
O humano coração com mias verdade
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


domingo, 11 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

agora já sei

Te amar de verdade/ sentir saudade/ mas só de você, só de você/ agora eu já sei, quando falta a respiração/ é a prova que o coração/ já não sabe mais, viver sem você/ agora já sei, que me falta sempre a razão/ traduzir melhor a emoção/ do que trago aqui, bem dentro de mim ..

terça-feira, 9 de março de 2010

com licença poética

de Adélia Prado .
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

segunda-feira, 1 de março de 2010

1 Coríntios 13

1 ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2 e ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e todas a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 3 e ainda que distribuisse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. 4 o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso, o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. 5 não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com injustiça, mas folga com verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 o amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 9 porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos. 10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. 11 quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 12 porque agora vemos em espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. 13 agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

amar é ser feliz

Herman Hesse, prêmio Nobel de Literatura, em "Sull'amore, mondadori"

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.
A beleza não era nada. Vi tantos homens e mulheres belos, infelizes, apesar de suas belezas.
Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente. Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.
A felicidade é amor, só isto. Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa. O amor é o desejo que atingiu a sabedoria. O amor não quer possuir. O amor quer somente amar.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ultra romantismo

Só me sinto (muito) motivada a escrever aqui quando alguma coisa me deixa mal .

domingo, 3 de janeiro de 2010

uma frase

Não minimize um ente querido, comparando-o com pessoas fracassadas. Ninguém é inferior a ninguém. Cada qual, a seu modo, tem um valor. Trate-o condignamente, pois num momento de necessidade ele vai interceder por você.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

unwritten


I am unwritten, can't read my mind, I'm undefined
I'm just beginnig, the pen's in my hand, ending unplanned

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inhibition
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you cant let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is when your book begins
The rest is still unwritten

I break tradition, sometimes my tries, are outside the lines
We've been conditioned to not make mistakes, but I can't live that way

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is when your book begins
The rest is still unwritten
The rest is still unwritten
The rest is still unwritten